OAB vai acompanhar investigação do assassinato de travesti na Orla

Membros da Comissão de Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo receberam representantes da comunidade LGBT, pedindo da OAB para acompanhar o caso

A Ordem dos Advogados do Brasil – por meio da Comissão de Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo – se reuniu com representantes da comunidade LGBT que pediu o apoio da Seccional no acompanhamento das investigações do assassinato da travesti Sthephany Tablante, de 27 anos.

De acordo com a presidente da Comissão, Giselma Tonelli, a OAB vai acompanhar a investigação que está sendo feita pela Delegacia de Homicídios. Testemunhas já foram ouvidas pelo delegado e o próprio assassinato confesso também, depois que se entregou à polícia dias depois do ocorrido.

“Vamos acompanhar os depoimentos e conversar com o delegado sobre em que situação está o inquérito. A OAB junto com outras instituições vão trabalhar para garantir um tratamento igualitário, e para que este fato não seja esquecido por se tratar de uma vítima que é pobre, venezuelana, travesti e prostituta”, explicou.

Ela observa que é necessário acompanhar o caso e, principalmente, chamar a atenção das autoridades sobre a repercussão social desse episódio. Segundo Giselma, o fato de a polícia não ter solicitado a prisão preventiva para o assassino confesso passa uma mensagem de impunidade para a sociedade, em um país onde muito se pratica violência contra travestis.

“Então a tendência é que haja mais violência à população LGBT e é por isso a preocupação da comunidade principalmente das travestis q trabalham na rua e que vivem da prostituição. Elas se tornam alvo dessa violência porque não existe punição. Nós vivemos num Brasil muito desigual, onde os pobres vão preso, as pessoas miseráveis, os marginalizados, os diferentes, os homossexuais são sempre condenados pelo julgamento que se faz dessas pessoas. Portanto, tudo que envolve violência a eles perde aquela característica de que eles são vítimas, eles se tornam os culpados por terem o destino que tem”, ressalta a presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB.

E completa: “E a sociedade aceita isso. O Brasil é muito preconceituoso. E isso é uma preocupação muito grande em razão disso. Então se tivesse sido dado o recado diferente: ‘você mata uma travesti e você vai preso’, não haveria tanto essa preocupação, mas é essa consequência muito maior do que apenas dentro do processo que nos preocupa”, conclui.